Psicoativos e Enteógenos

Um Novo Vocabulário Para Uma Nova Era, Parte 2

Neste artigo, seguirei apresentando algumas reflexões sobre termos e expressões que, em minha opinião, necessitam ser repensados (e abandonados), tendo em vista o desenvolvimento de novos saberes e conhecimentos. Se você não leu a primeira parte, clique neste link.

vocabulário psicodélico
Ou você utiliza a linguagem para desenvolver novas possibilidades, ou a linguagem lhe utiliza para perpetuar paradigmas obsoletos…

Sagrado – ainda que hajam práticas cuja relevância merece ser destacada, tais como o xamanismo e o tantra, não me parece adequado que em pleno século XXI se utilize a palavra “sagrado” para exaltar alguns elementos destas atividades. Este conceito é intimamente relacionado a religiões e dogmas, ao passo em que as referidas práticas consistem em vias de ampliação da consciência eminentemente sensoriais e isentas de doutrinação. Quando se diz, por exemplo, que sexo é sagrado ou que cogumelos são sagrados, fica subentendido que tais atividades deveriam ser necessariamente ritualizadas e reverenciadas de forma religiosa. Sexo é importante para todos e cogumelos são importantes para todos (ao menos todos que os conhecem), mas rituais e religiões apenas o são para quem os necessita – afinal, não passam de construções culturais e, portanto, suscetíveis à ação do tempo. Assim, sempre que alguém utilizar a palavra “sagrado” para definir alguma coisa, pode ter certeza que esse alguém não entende muito do assunto, pois está limitado ao modelo cultural a que pertence.

Místico – este termo não é nada mais que uma maneira estilizada de se referir a algo que não se compreende. É um pouco menos infantil que dizer “mágico” e um pouco mais informal que dizer “paranormal”. No fim das contas, se forem utilizados num contexto sério, todos esses adjetivos são igualmente inúteis, representando apenas uma espécie de glamourização da falta de conhecimento objetivo. Em outras palavras, nunca diga que sua experiência psicodélica foi “mística”… Caso contrário, estará dando razão às pessoas que acham que você fritou os neurônios. A experiência psicodélica é transformadora, indescritível e imensuravelmente intensa – referir-se a ela como algo “místico” é como compará-la a um jogo de tarot ou a uma história de fantasia.

Iluminação – a menos que se esteja falando sobre instalações elétricas, não é conveniente o uso desta expressão essencialmente religiosa. A palavra “iluminação” remete à ideia de um ápice na evolução do ser humano e da mente. Tal ponto máximo seria a chegada a uma suposta “consciência divina”, marcada pela libertação das “prisões mentais” da vida material. A experiência e o saber acumulados ao longo dos milênios nos provam que, independentemente de filosofias e outros aspectos culturais, sempre haverá um novo degrau a se subir na interminável escadaria do conhecimento. Assim, quando figuras como yoguis, monges budistas, profetas, xamãs, etc. são consideradas iluminadas, isso apenas significa que as pessoas que as veem dessa forma carecem da sabedoria para se sentirem iluminadas elas próprias, necessitando projetar tal conceito utópico naqueles indivíduos que possuem a mente mais aberta.

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