Arquivo da tag: psicodélicos

Um Curto Jejum Como Potencializador dos Efeitos de Psicodélicos

É amplamente conhecida e difundida a tradicional prática do jejum prévio ao consumo de elementos psicodélicos. Isso se observa nas mais diversas sociedades de traços xamânicos em todas as partes do planeta, sendo possível afirmar que os grupos que não adotam este costume representam a grande minoria.

Geralmente, tal hábito se resume ao mesmo dia em que se dá a ingestão da substância, mas em algumas tradições a dieta se estende por vários dias preliminares a tal evento. Este é o caso de algumas linhagens indígenas da Amazônia (que utilizam Ayahuasca, Chiric Sanango, Toé, entre outras plantas) e dos EUA e México (que em alguns casos fazem o uso do cacto Peiote trás a “busca da visão” – uma iniciação que basicamente consiste num longo jejum solitário/introspectivo em meio à natureza).

Ainda que estes últimos exemplos certamente pareçam um tanto radicais à nossa cultura, é importante notar que mesmo um pequeno jejum no mesmo dia em que se faz o uso de um psicodélico intensifica (às vezes muito) seus efeitos. Há uma série de explicações científicas/biológicas para tal, além de milhares de anos de constatação empírica deste fato – observando-se que este texto apenas diz respeito a substâncias ingeridas, excluindo-se portanto os psicodélicos fumáveis (ao exemplo da Salvia divinorum).

Deve-se mencionar também que esta prática tem o único intuito de ampliar os efeitos psicodélicos propriamente ditos (lembrando que “psicodélico” vem do grego psique delein – o que revela a mente). Dessa forma, tal abstenção logicamente não faria sentido quando se faz o uso de um psicoativo com propósito lúdico/recreativo – até mesmo porque nestes casos dificilmente se utilizam dosagens de volume sequer próximo aos aplicados nas mencionadas iniciações tradicionais, sendo assim fora de contexto a intensificação da experiência psicodélica.

Jejum para experiência psicodélica
Se você for passar o dia sozinho(a) num lugar 100% tranquilo, que tal comer nada mais que cogumelos enteógenos na primeira refeição do dia?

Resumindo, este artigo é uma referência exclusiva ao(à) psiconauta propriamente dito(a), cujo propósito, tal qual em linhagens xamânicas milenares, deve ser a ampliação da mente e dos sentidos. Se você se identifica com isso, faça um desjejum com nada além de seu psicodélico de preferência. Caso você prefira “viajar” de noite, então experimente abster-se do almoço. Certamente sentirá uma considerável diferença… E logo os “alimentos dos deuses” apresentarão toda sua fartura, até que a sua fome de conhecimento seja saciada.

Compartilhe… Coletivize… Psicodelize!

A Mente Pode Receber Os Mesmos Benefícios Quando Você Usa Psicodélicos e Pratica Meditação?

O Imperial College London realizou um estudo para entender como a prática da meditação e o uso de psicodélicos são recebidos pela mente e os seus benefícios para o tratamento da ansiedade e depressão.

Na Universidade Johns Hopkins, o neurocientista comportamental Frederick Barrett diz que a meditação tem o poder e é eficaz na alteração da consciência humana. Chamando-o de um método estabelecido para a redução do estresse e da ansiedade. A capacidade de alterar a consciência humana para efetuar a cura é o foco de sua equipe. Recentemente, o tratamento da ansiedade e depressão usando a psilocibina foi testado e descobriu-se eficaz. A psilocibina é encontrada em cogumelos psicodélicos ou “cogumelos mágicos” e é um dos seus ingredientes ativos.

O Imperial College London, com a ajuda de pesquisadores, realizou recentemente um estudo. O resultado – redução de três meses nos sintomas com a administração da forma farmacêutica da psilocibina (duas doses controladas) a pessoas com depressão. Houve também uma melhoria nos sintomas de ansiedade. Barrett era todo elogio para a meditação, chamando-a de um método estabelecido no aprimoramento do bem-estar emocional. Ele também disse que a administração adequada de Psilocybin sob supervisão pode ser eficaz na mudança do humor dos pacientes. A ideia é que um não é farmacêutico enquanto o outro é. Ao usar um scanner de ressonância magnética funcional para imagens de atividade cerebral durante a meditação, sua equipe é capaz de estudar os participantes que praticaram a meditação budista por muito tempo e, dessa forma, existe a possibilidade de combinação de tratamento se forem encontradas semelhanças.

Depois de ser administrado com placebo ou psilocibina em doses altas e baixas, os grupos participantes foram criados enquanto as pesquisas procuravam entender como a meditação os afeta – incluindo seus efeitos no cérebro.

Houve resultados promissores de investigações preliminares e, no momento, os ensaios ainda estão sendo realizados. Os relatórios mostram que o bem-estar dos participantes tomou um rumo positivo depois de tomar a psilocibina,

Aqueles que são novos na meditação descobrem que não é uma tarefa tão fácil. Na verdade, isso pode ser bastante desafiador. Usar psicodélicos neste estudo é descobrir se a perspectiva dos participantes é alterada de forma semelhante à forma como a meditação afeta o humor e se isso pode ser usado como outro método de terapia. Barret diz que se a meditação é ineficaz como método de tratamento, então uma segunda linha de tratamento seria o uso da psilocibina.

Ser capaz de ajudar as pessoas em sua capacidade de melhorar a concentração e explorar a consciência – e, finalmente, meditar, é outra razão pela qual há um estudo sobre os efeitos do uso dessa substância.

Peter Addy, membro fundador do Psychedelic Science Group de Yale na Faculdade de Medicina da Universidade de Yale, descreve a Psilocibina como uma porta para a meditação, ajudando a revelar as experiências e a percepção de si mesmo. Ele também acha que os vícios e os transtornos de humor podem ser tratados com psilocibina, mas alertando que ele pode ser usado onde os ambientes podem ser controlados. Para um tratamento mais sustentável, adicionar meditação pode dar melhores resultados, sugere ele. Ele acrescenta que o uso diário da psilocibina não é recomendado depois que as pessoas atingem certo nível de consciência, então a tarefa real seria manter o paciente no nível da consciência e além.

As mentes das pessoas poderiam ser abertas para a meditação dessa maneira, de acordo com Addy, e usadas somente quando necessário após esse período. Ele, no entanto, deixou claro que ele não estava sugerindo que as pessoas deveriam praticar o uso de psicodélicos, mesmo que alguns líderes da comunidade budista americana tenham aceitado seu uso em aprender a meditar. Segundo ele, no nível básico, a ciência busca respostas para sua adequação em tornar as pessoas mais conscientes. Estes estudos podem levar ao uso em tratamento de transtornos do humor? A meditação e essas substâncias têm mais a oferecer? Barrett acredita que sim. Reconhecendo que existem várias maneiras pelas quais essas terapias podem ser aplicadas, mas que ainda não foram descobertas.

Créditos.