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10 bons motivos para se autoconhecer através da prática psicodélica

Para quem nunca teve oportunidade de fazê-lo (e também para quem já teve), seguem 10 razões pelas quais você deveria buscar um aprendizado psicodélico – ou seja, um aprendizado no qual o professor não é uma pessoa, nem um livro e nem nada do estilo, mas uma substância psicodélica. Estes fatores não se resumem ao momento da experiência em si, mas se estendem por toda a vida do indivíduo. Logicamente, a maioria dos benefícios listados abaixo não se aplica ao uso microdosado ou insuficiente…

  1. Apesar de ser uma vivência muito profunda, não acarreta nenhum risco ao corpo (ao menos quando se tratam de psicodélicos naturais) nem à saúde mental (psicodélicos conduzem a um contato mais intenso com a realidade, e não a alucinações, como tentaram lhe ensinar na escola);
  1. A experiência psicodélica se traduz num estado de êxtase que pode ser descrito como uma espécie de “redenção”, fazendo-lhe sentir que pode recomeçar a viver de acordo com o que você realmente deseja para si;
  1. Você passará a dar mais valor às coisas que realmente importam (como as amizades verdadeiras, a liberdade e até mesmo o ar que respira) e a deixar de lado o que é supérfluo (como as aparências, os luxos e as frescuras);
  1. Você poderá analisar a vida com uma serenidade que, de outra forma, apenas lhe seria possível com uma idade bem mais avançada;
  1. Você passará a ser menos egocêntrico, mas ao mesmo tempo terá mais respeito por si mesmo e, logicamente, pela natureza;
  1. Você dará uma importância cada vez menor às formalidades culturais e maior às verdadeiras virtudes;
  1. Você pouco a pouco começará a enxergar primeiro a essência, e só depois os detalhes das pessoas e das coisas;
  1. Você ficará orgulhoso de si mesmo por não se haver limitado às convenções sociais e por haver enfrentado seus medos;
  1. Você progressivamente buscará ocupar mais o seu tempo com as coisas que realmente gosta e que realmente acha importantes;
  1. Você conhecerá coisas que nem em seus sonhos mais ousados imaginou existirem.

E uma única razão para você ficar com um pé atrás…

  1. Você vai se assustar, e muito. Se não se assustar, então não foi uma experiência psicodélica… Tente uma dose mais adequada.

Num dia sem nada pra fazer, o que você tem a perder?

Os Dois Vilões da Educação Psicodélica

Com este título, pode parecer que o artigo irá tratar de temas como a proibição de psicodélicos e a sua difamação por ignorantes ou conservadores. Contudo, o que se abordará aqui são obstáculos bem mais sutis à evolução da cultura psicodélica, os quais dificultam o entendimento geral da importância dessas substâncias. São eles:

1 – O uso de psicodélicos em dosagens insuficientes 

Este fato, apesar de a um princípio parecer limitar-se ao âmbito individual, na realidade representa um grande desserviço à cultura psicodélica como um todo. À exceção de pessoas completamente leigas e desinformadas, todos sabem que experiências psicodélicas levam a um entendimento mais profundo sobre a vida e a natureza, que não representam nenhum risco à saúde e que há muito o que se aprender com elas. No entanto, o que mais se vê hoje em dia são legiões de pessoas que, frente à “piscina psicodélica”, apenas colocam os pés na água, com medo de entrar e se afogar. Seria bem mais proveitoso um único mergulho profundo, do qual todos voltariam sãos e salvos, do que passarem a vida inteira apenas sentados na beira da piscina, ocupando espaço. 

Compare a força cultural da identidade psicodélica dos anos 60 com o presente cenário e leve em consideração que a dose mediana de uma unidade de LSD era, naquela época, aproximadamente dez vezes superior à atual, segundo análises laboratoriais. Não é uma coincidência. Apenas com dosagens ínfimas (como as da atualidade) é possível levar na brincadeira algo tão importante quanto a atividade psicodélica – e quando algo é levado a sério por muita gente, sua relevância cultural é uma consequência inevitável.

2 – A visão da prática psicodélica como algo radical, ousado ou que traspassa limites

Isto é um efeito direto do ponto abordado acima, pois consiste justamente numa atitude resultante do uso de psicodélicos em dosagens insuficientes. Perceba que são as mesmas pessoas que utilizam essas substâncias em quantidades tímidas que costumam referir-se como “malucos”, além de relatar que, trás o seu uso, “fritaram”, “ficaram muito loucos”, entre outras bobagens. Para quem passou pela efetiva transformação psicodélica, não há nada de radical nessa atividade… Ela consiste numa natural e necessária reconfiguração existencial, com o propósito de levar uma vida mais plena e equilibrada e despertar a percepção da realidade tal como é. 

Ao invés de falar sobre a prática psicodélica como algo de outro mundo (ainda que de fato o seja), mistificando tal atividade, é muito mais interessante explorar essa verdade mais a fundo e perceber que, no fim das contas, a experiência psicodélica é a coisa mais normal que poderia acontecer em sua vida – pois normal é a infinitude multidimensional revelada pela experiência psicodélica, e radical é a maneira com que o ser humano passa a vida inteira se esforçando em fechar os olhos a essa realidade.

Timothy Leary e Terence McKenna
Timothy Leary e Terence McKenna: dois precursores, para não dizer heróis, da educação psicodélica na civilização ocidental.

Uma meta para o século XXI

A partir da educação da sociedade sobre a normalidade da atividade psicodélica, ou seja, da popularização desta atividade como algo tão natural quanto quaisquer outros fatores fisiológicos, tais como o sono e a alimentação, poder-se-á desfrutar do pleno potencial dos psicodélicos como ferramentas formadoras de coesão e equilíbrio – não apenas individual, mas social. A difusão desta postura deve iniciar-se na própria comunidade psicodélica, através do estímulo a uma imersão mais profunda nesta prática, com a finalidade de abandonar a absurda perspectiva da mesma como algo radical.

A meta é que, ainda neste século, se popularize a noção de que, se quem passa a vida consumindo essas substâncias em dosagens medíocres é “maluco”, quem o faz em dosagens plenas, ainda que uma única vez na vida, é absolutamente normal – tal qual se observou desde sempre em sociedades de cunho xamânico.

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As 7 principais desculpas esfarrapadas para evitar experiências psicodélicas

Sempre haverão desculpas para não ingressar no foguete rumo ao autoconhecimento e à realidade sem máscaras – também conhecido como “experiência psicodélica”. Porém, vale a pena desmistificar as mais esfarrapadas, já que, curiosamente, também são as mais comuns…

1 – “Isso é ilegal”

Não necessariamente. Cogumelos dos gêneros Psilocybe ou Amanita, Ayahuasca, certos cactos, sementes de determinadas trepadeiras etc. não são ilegais no Brasil – e, pessoalmente, os considero muitíssimo superiores a qualquer coisa fabricada em laboratório. Além do mais, mesmo no que diz respeito a substâncias proibidas, se você alguma vez ultrapassou o limite de velocidade, comprou um DVD pirata no camelô ou experimentou bebida alcoólica antes dos 18, então seu compromisso moral com a legislação não passa de uma fantasia de carnaval.

2 – “Isso deve deixar sequelas”

Realmente, há uma sequela irreversível: uma vez aberta, a mente perde a capacidade de se fechar. É algo similar ao fato de que não se pode mais voltar a acreditar no Papai Noel, uma vez que se descobre que ele não existe. Quanto à saúde física e neurológica, se eu fosse você, estaria bem mais preocupado com produtos industrializados que consome, com hábitos tecnológicos que cultiva, com dormir mal, com estresse e com depressão, ou seja, justamente com todas as coisas que a prática psicodélica trata e previne.

3 – “Isso pode viciar”

É impressionante que se desconheça tanto o universo psicodélico, a ponto de pensar ser possível o vício nessas substâncias. Se você conhece alguém que apresenta um comportamento compulsivo em relação a elas, pode ter certeza que essa pessoa não as utiliza em doses plenamente psicodélicas (e quando o faz, muitas vezes é pela primeira e última vez). Só há duas maneiras de se conseguir manter uma frequência regular com os psicodélicos: levando-os muito a sério ou utilizando-os em dosagens bem “covardes”.

4 – “Tenho medo de sair de meu estado normal de consciência”

Até lhe entendo, mas você só diz isso porque ainda não descobriu que o tal “estado normal de consciência” é apenas um conceito próprio de sua cultura, e que não possui uma relação objetiva com a realidade.

viagem psicodélica

5 – “Isso vai prejudicar minha imagem”

O que as outras pessoas pensam de você não faz a menor diferença depois de uma experiência psicodélica. Aliás, na minha opinião, essa é uma das consequências mais importantes da prática psicodélica: ser o que você espera de si mesmo, e não o que os outros esperam de você. Por fim, quanto mais você se identifica com uma mera imagem social, mais urgentemente está precisando de uma experiência psicodélica!

6 – “Eu prefiro coisas mais tranquilas, como a meditação”

Teoricamente, essa frase não consiste numa desculpa. Na prática, contudo, ela quase sempre tem o medo como único fundamento. Neste caso, pode-se fazer uma comparação àquela pessoa que deseja ir ao último andar de um arranha- céu, mas tem medo de elevador… Ela acaba subindo pelas escadas e diz que é porque prefere subir andando mesmo.

7 – “Isso me parece uma atividade um pouco radical demais”

Isso é só uma imagem criada culturalmente. Muitas vezes, a culpa desta falsa imagem é das próprias pessoas já envolvidas nessa prática, pois acabam glamourizando-a para assim se sentirem especiais. No fim das contas, a atividade psicodélica deveria ser vista com a mesma naturalidade que a alimentação ou a reprodução, por exemplo.

Uma única desculpa razoável: “Isso é assustador”

Também acho, mas se você já sabe disso, é porque provavelmente já esteve lá.

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Por Que A Microdosagem Limita A Cultura Psicodélica

Já deve ser de seu conhecimento que os psicodélicos sintéticos produzidos há meio século eram muito mais potentes do que os que você pode adquirir no mercado negro hoje em dia (sendo o LSD o exemplo mais clássico). Isso ocorre porque, naquele tempo, eles eram feitos com o único propósito de se chegar à experiência psicodélica – seja para abrir a mente das pessoas ou para realizar pesquisas científicas. O fator lucro ainda não havia entrado em pauta… Até que veio a proibição e, com ela, descobriu-se que era possível vender doses cada vez mais fracas por um preço cada vez maior e ganhar um bom dinheiro com isso – inclusive, dessa maneira os usuários se divertiriam mais do que se assustariam (ou aprenderiam), aumentando a clientela. Assim, em cerca de apenas duas décadas, a microdose passou a ser a dose padrão. 

A um princípio essa história pode até parecer bonita – todos se divertindo sem se assustar – mas não é bem assim… No contexto da microdosagem, não se chega à profunda reestruturação do ego, à superação do pensamento ideológico e à consequente reconexão com a origem transcendental da vida – o que, não tenho a menor dúvida, é a função essencial da prática psicodélica. Todos deveriam chegar a esse entendimento em poucas experiências ou até mesmo numa única. Contudo, já vi indivíduos passarem anos utilizando essas substâncias pensando se tratar de uma atividade recreativa, até finalmente se darem conta de que é algo tão divertido quanto morrer e nascer de novo. Demorar tanto tempo para absorver esta realidade não me parece nada prático.

A prova de tudo o que foi dito acima é o endeusamento da cannabis em nossa cultura. Nada contra a simpática ervinha, mas já reparou que, ao menos aqui no Brasil, ela recebe muito mais carinho e atenção que cogumelos psilocibínicos e ayahuasca? Os efeitos de ambos são incomparavelmente mais intensos e instrutivos que os da maconha, sendo que são substâncias naturalmente abundantes no território nacional (além de não serem proibidas) e, no entanto, a elas não se confere nem uma fração do interesse e importância dados à erva. Aliás, um erro frequente na atualidade é tentar usar os psicodélicos com uma atitude similar à que se utiliza a cannabis – eis a mentalidade da microdosagem.

cultura psicodélica

Como resolver isso? Bom… não se pode convencer os químicos clandestinos a produzirem ácidos muito mais concentrados, apenas para dar uma forcinha em abrir a mente das pessoas a outras realidades (afinal, os negócios vão muito bem, obrigado, e não haveria interesse em mudar a estratégia). Então, que tal buscar conscientizar aquele seu amigo festeiro a, antes de pensar em sair tomando estas microdoses laboratoriais (“doces e balas”) em raves, comer no mínimo uma boa dúzia de cogumelos sozinho num lugar tranquilo? Além de proporcionarem um belo passeio pelo campo para colheita e serem gratuitos, eles mostrarão a que vieram de maneira franca, direta e inquestionável.

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