Cumpra seu papel na restauração da identidade psicodélica

Ainda que a grande maioria dos adeptos da prática psicodélica não se importem com isso, todos sabem que, se falassem abertamente sobre o assunto, correriam o risco de carregar o estigma social de loucos, drogados ou vagabundos. Neste artigo, pretendo demonstrar como você pode (e deve) agir para reverter esta absurda lógica cultural. Não será necessário nenhum esforço além de um pequeno ajuste de atitude, o que por sua vez se resume em 3 pontos:

1 – NÃO EXISTEM ALUCINÓGENOS

Se você considera alucinações o que ocorre com a mente sob a influência de substâncias como LSD, DMT, psilocibina ou mescalina, então você certamente não conhece tais substâncias. Pessoalmente, considero um verdadeiro “pecado” quando vejo uma pessoa utilizando a palavra “alucinógeno”, considerando que seus efeitos conduzem à expansão sensorial, à reflexão existencial e ao autoconhecimento. Na verdade, trata-se exatamente do contrário do que a palavra “alucinógeno” implica. Esta denominação apenas reforça o tipo de preconceito que alimenta a ridícula política contra as drogas.

Portanto, não dê razão ao inimigo… Por gentileza: “psicodélicos” – ou ainda, se você achar mais bonitinho, “enteógenos”.

2 – FIQUE BEM-INFORMADO SOBRE A ATIVIDADE PSICODÉLICA

É certo que, de um modo geral, as pessoas atualmente não se sentem muito atraídas pela leitura. Na era das redes sociais, poucos se animam para ler um pequeno texto, quanto mais um livro inteiro. De fato, provavelmente você preferiria estar vendo um meme divertido ao invés de estar lendo este artigo (e nem posso criticar, pois eu também não sou diferente). Ainda assim, mesmo havendo centenas de autores e milhares de livros sobre o assunto, se você ler uma única obra já estará elevando seu nível discursivo, podendo “fazer bonito” ao falar sobre o tema num contexto formal. Entre os autores mais conhecidos, temos Timothy Leary, os irmãos McKenna, Aldous Huxley, Albert Hofmann, Stanislav Grof, Jonathan Ott e muitos outros. Quem já passou por uma boa viagem psicodélica sempre se identifica com o trabalho desses estudiosos.

3 – PRATIQUE A PSICODELIA COM A MENTE ABERTA

Os psicodélicos não são atrações turísticas para que você poste selfies, ao lado deles ou sob seus efeitos, em redes sociais. Trata-se de um linha de conhecimento que, cedo ou tarde, apresentar-lhe-á muitas verdades sobre sua própria existência. Lidar com tal atividade de maneira banal certamente levará à insegurança na hora de mergulhar nas águas mais profundas da psicodelia – que é onde se escondem seus maiores tesouros.

A experiência psicodélica é uma dádiva… Respeite-a como tal e beba sem medo desta inesgotável fonte de sabedoria.

Viajando sozinho pelo desconhecido, você encontrará a si mesmo no meio do caminho.

O verdadeiro motivo da proibição da maconha

Hoje, tanto pela mídia alternativa quanto pela grande mídia, somos constantemente bombardeados por matérias que expõem os benefícios medicinais e terapêuticos da cannabis. De fato, desde os tempos mais obscuros da propaganda de proibição (na metade do século passado) nunca houve qualquer estudo sério que delimitasse cientificamente um risco considerável decorrente do uso desta planta. O motivo é muito simples: não há nenhum risco relevante.

Não havendo um caráter nocivo, o porquê da proibição aparenta ser uma mera formalidade legal, relativamente obsoleta. Na realidade, porém, ela consiste numa importante engrenagem na máquina de poder, e muito atual… Algo que a maioria das pessoas não lê nas entrelinhas.

Através da proibição, o Estado muito sutilmente reitera que os corpos dos cidadãos lhe pertencem. Note que, fundamentalmente, quase todo governo se baseia no poder militar/policial, seja de forma implícita (ao exemplo do Brasil) ou explícita (ao exemplo dos países do Oriente Médio, da Rússia e dos EUA). As poucas exceções se encontram, na maior parte, na Europa. Isso significa que, por baixo de uma roupagem de fomento à modernização, de integração transnacional, de desenvolvimento social e de promoção dos direitos individuais, a maioria dos países do mundo contemporâneo continuam seguindo a diretriz de preservação da autoridade institucional – o que se faz através da imposição da força.

A recente descriminalização da maconha em muitos estados norte-americanos não foge a essa lógica… Na verdade, até contribui para sua explicação. Por se tratar de um país de poderio externo (militar) e interno (policial) indiscutivelmente consolidados (ao contrário do Brasil), os EUA não necessitam de determinados instrumentos de controle (tais como a proibição da maconha ou do porte de armas de fogo) para reforçar sua soberania, podendo “dar-se ao luxo” de estar na vanguarda democrática em alguns assuntos que não afetam diretamente a segurança nacional.

O verdadeiro motivo da proibição da maconha
Os EUA, que até pouco tempo atrás protagonizaram uma incansável cruzada contra a erva, hoje têm a venda da cannabis legalizada em seus Estados mais populosos e economicamente importantes. Mas, afinal, qual é a lógica por trás desse jogo?

Basta recordarmos que, tal qual a proibição da maconha o é hoje, a censura dos meios de comunicação também já foi uma impopular ferramenta de afirmação da autoridade – sendo também descartada pelo governo norte-americano bem antes que pelo brasileiro. Nesse quadro, a soberania nacional se resguarda por meio do militarismo, que por sua vez faz do indivíduo um meio, não um fim, resumido-o a um “corpo” a serviço do Estado. Por outro lado, países europeus como a Holanda (que oficialmente descriminalizou a venda de pequenas quantidades e o uso pessoal da cannabis em 1976) apresentam desde o período pós-guerra uma peculiar orientação política na qual, inversamente ao militarismo predominante, o indivíduo é o fim, não o meio. Nesse caso, a soberania nacional emana principalmente dos valores civilizacionais (no plano interno) e da relevância econômica e diplomática (no plano externo), não havendo nenhuma prioridade na manutenção do potencial repressor do Estado quando não há uma lógica que o justifique. A legalização da maconha no Uruguai segue esta linha, mas representa antes uma ousada abertura política do que o resultado de uma longa tradição liberal.

Para resumir, se compararmos o país a uma unidade familiar tradicional e o uso da cannabis a um hábito basicamente inócuo, mas conservadoramente reprovável (como sentar-se com os pés sobre a mesa, por exemplo), chegaremos a uma metáfora que simplifica a situação: seu pai (o Estado) não o proíbe de fazê-lo (plantar, armazenar, vender e usar) porque ele acha isso prejudicial pra você (o cidadão) ou pra família (a sociedade). Embora ele finja ser este o motivo, ele sabe muito bem que isso não gera nenhum malefício real. Ele o proíbe porque, por ser um cara desequilibrado e inseguro, ele precisa estar sempre deixando claro que é o dono da casa e que, por essa razão, tem legitimidade para agir de forma opressora (sua soberania emana da manutenção da autoridade, e não da proteção à liberdade individual).

Viajando sozinho pelo desconhecido, você encontrará a si mesmo no meio do caminho…

Uma playlist para conhecer a cena psicodélica pernambucana

Uma playlist com o melhor da clássica cena psicodélica de Pernambuco, que inclui figuras icônicas como Lula Cortês, Zé Ramalho e Alceu Valença, entre outros, numa mistura de elementos psicodélicos importados da Grã-Bretanha, América do Norte, Marrocos e Índia, sem deixar de lado a cultura regional de Pernambuco com sua tradicional e característica percussão e outros instrumentos e sonoridades típicos do estado. Nessa lista que faz parte do disco Psychedelic Pernambuco (2011) você confere 19 faixas de pura sagacidade experimental.

O pequeno guia para a localização de enteógenos no Brasil

Elaborado com o intuito de auxiliar o psiconauta brasileiro, amador ou experiente, em sua busca pela sabedoria universal, segue um guia simplificado para a obtenção de substâncias enteógenas no território nacional, com base em quase duas décadas de andanças psicodélicas e jornadas xamânicas. Vale lembrar que enteógenos são essencialmente ferramentas de desenvolvimento cognitivo e expansão da consciência. Sua utilização com um propósito supostamente recreacional dificilmente atravessará a “peneira da desilusão”…

Psilocybe cubensis – o clássico cogumelo-mágico, ou cogumelo-rei, ou simplesmente cogu, é encontrado em praticamente todo o país (talvez à única exceção de florestas densas e sertões extremamente áridos), sendo sua presença condicionada à atividade pecuária e ao clima quente e úmido. Basta uma pequena pesquisa na internet para aprender a identificá-lo corretamente, sendo suas mais notáveis características o desenvolvimento praticamente exclusivo em esterco bovino, o anel preto e o azulamento consequente à escoriação. Assim, a melhor maneira de buscá-lo é caminhando por pastagens em dias ensolarados trás dias chuvosos. De qualquer forma, muita gente no Brasil se dedica ao aprimoramento de técnicas de incubação, havendo vários entusiastas urbanos do cultivo deste enteógeno, além da possibilidade de adquiri-lo pela internet.

Ayahuasca – num panorama internacional, trata-se da planta de poder mais característica do país, sendo a dimetiltriptamina (DMT) o princípio ativo responsável por seus efeitos enteógenos. Também se conhece como daime, vegetal, hoasca e yagé, além de muitos nomes de origem indígena. Ainda que seu preparo e obtenção in loco (originalmente exclusivo à região amazônica) seja um mistério para a maioria dos leigos, há várias igrejas que utilizam esta bebida como sacramento ritual, sendo as mais conhecidas o Santo Daime e a União do Vegetal, ambas amplamente presentes em todos os Estados e no Distrito Federal. Há muitos outros contextos de utilização da ayahuasca no Brasil, tais como tribos indígenas no Acre e no Amazonas, retiros terapêuticos em praias e chapadas, grupos independentes no meio urbano e diversas comunidades alternativas na zona rural. A maioria dessas organizações é facilmente encontrada e contatada pela internet. Imagino que a evolução da regulamentação legal da ayahuasca, estendendo seus limites para além do contexto tradicional, possa alavancar a importância do país e da própria atividade psicodélica no cenário mundial. (ver o artigo O Brasil e a revolução psicodélica do século XXI)

O pequeno guia para a localização de enteógenos no Brasil

Amanita muscaria – este belo cogumelo de fácil identificação (chapéu vermelho com pontos brancos) deve ser buscado nos extensos bosques de coníferas (pinheiros) de toda a região Sul do país e no sul do Estado de São Paulo, nos meses mais frios do ano (maior incidência de junho a agosto). Assim como o Psilocybe cubensis, o melhor momento para procurá-lo é em dias ensolarados sequentes a um período chuvoso. Atenção para a secagem adequada… Pesquise e esteja bem-informado antes do consumo.

Peiote e San Pedro – estes cactos enteógenos são utilizados no Brasil em cerimônias do Caminho Vermelho, ou seja, em atividades xamânicas cujas raízes remontam a tradições nativas da América do Norte, também referidas como Igreja do Fogo Sagrado de Itzachilatlan. Grupos que seguem estas tradições são bem mais presentes na região Sul do país e no Estado de São Paulo (apesar de haverem alguns poucos em outras regiões), sendo tais medicinas (abuelito peiote, abuelito san pedro, abuelita ayahuasca…) apenas uma das sete tradições do Caminho Vermelho. Nenhum desses cactos ocorre naturalmente no país, sendo trazidos até aqui exclusivamente para esses trabalhos de evolução pessoal.

Jurema – de composição química (DMT) similar à chacrona (ou rainha, uma das plantas que compõem a ayahuasca), a jurema é ocasionalmente utilizada em rituais de algumas tribos indígenas nordestinas e também em tradições de matiz africana, tais como o Catimbó e algumas linhagens umbandistas e daimistas. A planta com cuja casca de raiz se prepara a bebida (Mimosa hostilis, ou jurema-preta) é endêmica da caatinga nordestina, e seu uso foi até recentemente alvo de perseguição religiosa.

Argyreia nervosa, Rivea corymbosa e Ipomoea violacea – nenhuma destas trepadeiras com sementes ricas em LSA é nativa do Brasil, apesar de suas variedades meramente ornamentais (não-psicoativas) serem muito presentes em nossas lojas de jardinagem. Contudo, por não serem legalmente restritas na maioria dos países (inclusive no Brasil), é muito fácil adquirir essas sementes enteógenas pela internet. Atenção para comprar as estirpes adequadas (ou seja, efetivamente enteógenas, pois nem toda variedade de Ipomoea violacea e Argyreia nervosa é psicoativa), ou você não terá nada mais que um novo atrativo para o seu jardim.

O pequeno guia para a localização de enteógenos no Brasil

Ibogaína – aqui faço referência à substância ibogaína, e não à planta iboga propriamente dita, pelo fato desta última não ser nem incidente no território nacional, nem importada a este lado do Atlântico. A ibogaína sintética, contudo, é utilizada em algumas clínicas de reabilitação para o tratamento de vícios pesados, com altíssimas taxas de sucesso. Não há, até onde eu saiba, outra forma de acesso a esta substância no país. Inclusive já ouvi falar que o preço cobrado pela terapia com ibogaína pode ser tão caro no Brasil, que sairia mais em conta fazer uma viagem à Guiné Equatorial ou ao Gabão para tomar iboga in loco. Assim, o tratamento da dependência química com ayahuasca é uma alternativa eficaz e muito mais viável a nível nacional.

Kambô – apesar de muitas pessoas a um princípio não sentirem efeitos mentais significativos, apenas purificação física, classifico por experiência própria o kambô (veneno da rã Phyllomedusa bicolor) como um enteógeno, o que talvez não se mostre tão evidente num primeiro contato com a substância. O emprego dessa medicina é bem difundido no interior do Amazonas, sendo que ela é ocasionalmente trazida para outras regiões do país (especialmente no contexto de grupos de raízes amazônicas, como o Santo Daime) por indivíduos que detêm os conhecimentos de seu uso. Não confundir com o veneno do sapo Bufo alvarius, este sim de efeito inequivocamente psicodélico, mas que não figura nesta lista por não ser natural do Brasil e tampouco jamais haver sido trazido até aqui (ao menos não enquanto o itinerante Dr. Octavio Rettig não visitar o país – http://octaviorettig.com).

Paricá e Virola – estes dois rapés (pó de origem vegetal para uso por inalação) são tradicionalmente utilizados entre tribos indígenas que habitam o noroeste da floresta amazônica, com propósitos divinatórios. Ambos possuem DMT, apesar de serem provenientes de árvores diferentes e possuírem particularidades químicas distintas. O Paricá se obtém das sementes do Angico, árvore presente em grande parte do território brasileiro, enquanto a Virola é obtida da resina que escorre da casca de uma árvore exclusiva da selva amazônica.

Observações:

  • Psicoativos da família dos anticolinérgicos – tais como a trombeta (Brugmansia suaveolens), amplamente presente em todo o território nacional – não foram incluídos por serem melhor classificados como “delirantes”, embora apresentem certos aspectos enteógenos;
  • A maconha tampouco deve ser considerada um enteógeno; (ver os artigos O maior dentre os benefícios da maconha e Por que você deveria gostar mais de enteógenos que de maconha).
  • A Salvia divinorum (nativa do México, mas muito difundida por todo o planeta no início do século) foi proibida no país em 2012. Após essa data, há muitos relatos de encomendas de sites internacionais com destino ao Brasil sendo apreendidas, causando prejuízo aos compradores. Portanto, não foi incluída na lista; (ver o artigo Os psicodélicos fumáveis e uma bela teoria da conspiração)
  • Não foram mencionados enteógenos sintéticos obtidos exclusivamente de laboratórios clandestinos ou no mercado negro (LSD, por exemplo), dada sua ilegalidade e a grande dificuldade em encontrar tais substâncias com relativo grau de pureza.

Viajando sozinho pelo desconhecido, você encontrará a si mesmo no meio do caminho.

Uma discussão sobre a controversa combinação de psicodélicos com a prática budista

Quando se fala em budismo logo vem a mente os 5 preceitos que os praticantes devem seguir, sendo que um deles é abster-se de qualquer tipo de intoxicantes. Logo de cara parece então ser incompatível o uso de psicodélicos quando você é um budista. Sim, muitos praticantes podem ver o uso de enteógenos como uma forma de quebrar a sila (moralidade, em pali), porém outros enxergam a possibilidade de experimentar psicodélicos como uma ferramenta para fortalecimento da prática budista. O artigo publicado originalmente no Tricycle.org discute o uso de psicodélicos dentro do contexto budista e aqui trago alguns pontos principais dessa discussão.

Um belo dia uma meditadora experiente estava imersa em um retiro de silêncio do qual percebeu que sentar em silêncio em um ambiente calmo e tranquilo não era suficiente para sua mente acalmar, e  ao contrário do que era esperado, estava gerando ainda mais tensões internas. Os ensinamentos budistas não eram os culpados e sim a própria prática da meditadora. Foi então que após essa experiência ela resolveu unir sua prática budista com uma vivência enteogênica por meio da bebida amazônica Ayahuasca.

Segundo o artigo, o interesse budista pelos psicodélicos existe há muito tempo, principalmente por conta dos praticantes ocidentais e pesquisadores com a temática budista e psicodélicos. O artigo científico Buddhism and Psychedelic Spirituality in America (Budismo e espiritualidade psicodélica na América, em tradução livre), ensaios sobre a combinação do uso de psicodélicos com o budismo e livros sobre o assunto impulsionam a discussão polêmica sobre o uso de intoxicantes psicodélicos e o budismo.

Um estudo de Carhart-Harris descobriu que o uso de LSD e psilocibina tornou a rede de modo padrão mais silenciosa e os níveis de consumo de oxigênio e fluxo sanguíneo foram reduzidos. Nesse sentido, houve uma perda de identidade. Para o budismo a perda de identidade, do não-eu, também chamado de Anatta se desenvolve ao longo da prática e é algo que muitos usuários de substâncias psicodélicas relatam durante suas experiências.

budismo e psicodelia
Por Bekir Donmez

Alguns budistas defendem que o uso de psicodélicos alinhados com a prática budista pode contribuir para treinar a mente a testemunhar sua falta de altruísmo, enquanto outros defendem de forma ferrenha que o uso de psicodélicos vai na contramão dos ensinamentos budistas, já que para observar a mente não é necessário usar nenhum tipo de “veículo mental”. Uma crítica interessante é que praticantes budistas se apegam a experiências maravilhosas durante o transe psicodélico (e não só eles) “sob o o disfarce de exploração espiritual”. O uso de psicodélicos é a busca por coisas que não estão ali no momento presente e que “mudar as cores, texturas e sabores da prisão não nos leva à liberdade”, afirma Jesse Maceo Vega-Frey.

O apego sem dúvida vai contra tudo que o Buda ensinou e experiências psicodélicas nos levam a estados de deleite pelas sensações provocadas, o que pode gerar um risco para a prática, já que sob efeito de psicodélicos às vezes entramos em estados do qual não temos controle algum sobre o que se passa, correndo o risco de entrar em estados de apego e aversão ao que estamos sentindo inconscientemente, então nesse aspecto há um grande perigo para a prática meditativa e o estado da mente como o todo.

Por fim, praticantes budistas admitem a controvérsia do tema no mundo budista e que há sim perigos atribuídos ao uso de psicodélicos com a prática budista, mas ao mesmo tempo diz que psicodélicos podem ser aceleradores espirituais e que podem reduzir o vício de intoxicantes. Uma das praticantes, inclusive, já realizou cerimônias de ayahuasca no Peru combinada com os ensinamentos budistas e houve um grande número de praticantes budistas que foram atraídos para viver a experiência. Para Washan a experiência da ayahuasca é um tipo de”meditação final” que pode melhorar a prática budista e fornecer insights pessoais sobre a interconectividade global.

Para ler na íntegra clique aqui.

 

Dedique 10 minutos a esta leitura para entender o xamanismo de uma vez por todas

Com o intuito de explicar o conceito de xamanismo numa maneira facilmente compreensível a qualquer leigo, é mais fácil começar contextualizado certos padrões próprios de nossa cultura – uma cultura sem nenhum traço xamânico, mas que vem “paquerando” o xamanismo desde o século passado, em especial depois do boom das experiências lisérgicas de expansão da consciência nos anos 60.

xamanismo
O crescente uso de substâncias enteógenas (como ayahuasca) na cultura ocidental vem gerando um progressivo interesse na prática xamânica…

Tomemos como primeiro exemplo o modelo religioso (seja lá qual for a religião). Nos sistemas de crenças religiosas, o conhecimento sobre a realidade supostamente se encontra em livros (a Bíblia cristã, o Alcorão islâmico, a Torá judaica, o Mahabharata hindu, o Tripitaka budista etc.). Assim, num panorama religioso o discernimento do que é verdadeiro ou falso independe do indivíduo, pois existe com ou sem ele… Já está tudo gravado em papel, papiro, argila ou e-book. Logo, o indivíduo não exerce qualquer influência sobre tal visão predeterminada da realidade. Em outras palavras, podem surgir mil teorias de que Jesus nunca existiu, ou que ele era uma mulher, ou um extraterrestre (ou qualquer outra coisa) e o livro que dá embasamento à religião (neste caso, a Bíblia) jamais mudará sequer uma vírgula por conta disso. De fato, tais livros levam séculos para passarem por mínimas mudanças, geralmente ocasionadas por erros de tradução.

Agora vejamos um exemplo com o qual temos mais familiaridade, por vivermos no mundo ocidental de vanguarda tecnológica: o modelo racional/científico. A um princípio, o conhecimento também independe do indivíduo. Por mais que você não goste da gravitação dos astros e prefira ver a Terra como um objeto plano, ninguém vai escrever um livro cientificamente reconhecido que corrobore esse seu ponto de vista. Portanto, o modelo científico se difere do religioso em dois pontos fundamentais… Um é que no âmbito científico tudo deve ser comprovado dentro de parâmetros lógicos. O outro é que eventualmente o conhecimento pode ser influenciado pelo indivíduo (vide Pitágoras, Einstein, Newton, Kepler, Hawking, etc.). Contudo, o indivíduo é na esmagadora maioria dos casos absolutamente irrelevante para o conhecimento em si, salvo que sua genialidade lógica/racional se imponha sobre o sistema científico já estabelecido.

Tendo em vista o exposto acima, fica bem mais fácil entender o conceito da prática xamânica (e também compreender porque se trata de algo tão alheio ao senso comum em nossa cultura). O modelo de conhecimento xamânico é absolutamente centrado no indivíduo. Não há livros fundamentais (e nem mesmo secundários), pois se houvessem, seria necessário um livro específico para cada pessoa. A prática xamânica diz respeito a uma maneira pragmática de se conectar com a sabedoria que emana do universo e de tudo o que nele existe. Assim, a natureza é o “livro” e o xamanismo é a sua “leitura”. Para aprender a “ler”, deve-se mergulhar em si mesmo, tal qual se mergulha na água para aprender a nadar. O xamã é um “nadador” experiente… Uma vez que você reconheça sua habilidade e sabedoria, ele pode até lhe dar bons conselhos, mas quem tem que nadar é você. Dessa maneira, diferentemente do pensamento religioso e do lógico/racional, na atividade xamânica você é o grande protagonista da “aventura sagrada” (e não Buda, Maomé, Krishna, Moisés ou Jesus) e você é o grande cientista (e não Galileu, Tesla ou Darwin). Logo, se você tiver medo de entrar na “água”, o xamanismo não terá nenhuma resposta para você. Nenhum criacionismo, nenhum evolucionismo e nem qualquer outra resposta pronta (tal qual proporcionam as religiões e as ciências). O xamanismo é osmótico… Nele, o conhecimento se absorve. Portanto, o conhecimento não se lê e nem se fala, o xamã apenas aponta onde se pode encontrá-lo – e esse caminho invariavelmente passa pela natureza e seus elementos, que nos permitem mergulhar em nós mesmos e desde aí “voar” em todas as direções.

xamanismo
Todas as vertentes da atividade xamânica se baseiam no autodescobrimento e na aprendizagem através de um contato mais profundo com a natureza, sendo os enteógenos (ou plantas de poder) suas principais ferramentas.

Com tudo isso, se você ainda pensa que xamanismo tem a ver com crenças em espíritos da natureza ou pajelanças, não poderia estar mais errado. Estes são mitos criados por nossa própria cultura, por esta representar uma mentalidade incapaz de abarcar o conceito de um conhecimento que parte de dentro para fora – em oposição ao conhecimento que jaz inerte em livros, em palavras e em equações. Convivi por muitos anos com xamãs de notável fama no Peru e, pessoalmente, nunca vi nenhum acreditar em nada além de sua própria capacidade de aprender. 

Por fim, se tudo isso ainda lhe parece um tanto obscuro, é porque não se pode buscar do lado de fora algo que só se encontra dentro de si mesmo. Quanto à essa busca interior, dificilmente se consegue mergulhar nas profundezas da própria consciência sem um empurrãozinho… E é por isso que a prática xamânica sempre foi essencialmente vinculada ao uso de plantas psicodélicas/enteógenas.

Viajando sozinho pelo desconhecido, você encontrará a si mesmo no meio do caminho.

10 Discos Para Conhecer a Cena Psicodélica Argentina

Esqueça a rivalidade tosca entre Brasil e Argentina e aprecie essa playlist fina com alguns dos discos de músicos e bandas contemporâneas dos hermanos argentinos.

Los Acidos – Los Acidos (2016)

Miguel Canel – Mono Infinito (2016)

Los Gongs – Volumen 2 (2014)

Los Gongs

Superlasciva – Todo está al borde (2016)

 Agrupación Ilegal Los Impaciales – Media Hora de Cumbia (2014)

Montãna Electrica – Selvas y Trópicos (2017)

La Chicharata EP (2016)

La chicharata

The Valium Brothers – The Valium Brothers (2016)

Culebra – Cofrades del Crepusculo

Los Espíritus – Gratitud

 

Conhece algum outro disco argentino que ficou faltando na lista? Informa aí pra gente 😀

O FAQ básico da educação psicodélica – parte 2

(Para ler a primeira parte, clique neste link)

A experiência psicodélica é divertida?

Não. Este é um mito propagado pelo fato de que algumas substâncias (tais como a cannabis) frequentemente proporcionam experiências divertidas e prazerosas. Como nossa cultura prefere ignorar um conhecimento mais amplo sobre este tema, estabelece-se uma linha erroneamente tênue entre os psicodélicos propriamente ditos e outras classes de psicoativos. Assim, muitas vezes se cria um contexto social que direciona o indivíduo à falsa expectativa de que a experiência psicodélica seja recreativa. Por exemplo: ser golpeado brutalmente não é agradável sob nenhum ponto de vista, mas o MMA é um esporte muito cativante. De maneira similar, por si só a experiência psicodélica não é divertida, mas acaba sendo culturalmente condicionada para tal. Este fenômeno pertence exclusivamente ao mundo contemporâneo, dado que não há qualquer registro histórico anterior ao século XX do uso supostamente recreativo de substâncias psicodélicas (cogumelos, peiote, iboga, ayahuasca etc.).

Então por que todos parecem estar se divertindo horrores nessas raves e festivais psicodélicos?

Primeiro, porque geralmente utilizam doses consideravelmente aquém do necessário para uma experiência efetivamente psicodélica. Segundo, porque quando a mente de uma pessoa desse círculo cultural de fato ingressa a um plano psicodélico (o que costuma ser subjetivamente muito assustador), classifica-se este tipo de experiência como uma “bad trip”, por pura falta de conhecimento. Não existem bad trips… O que existem são pessoas que não têm a menor ideia da função da atividade psicodélica. Esta função é aproximar o indivíduo à realidade, e não afastá-lo da mesma.

O FAQ básico da educação psicodélica – parte 2
Não obstante a natureza relativística da experiência psicodélica, é fato que a sua associação com o lazer pertence apenas a nossa cultura. Por quê?

E por que isso não pode ser divertido?

Porque o plano psicodélico conduz à consciência da absoluta fragilidade humana frente à natureza em estado bruto. Quando se está diante das portas do infinito (e qualquer definição menos superlativa não condiz com uma experiência psicodélica de fato), dramaticamente despido de qualquer ilusão egocêntrica, o próprio conceito de diversão se dissolve na profundidade avassaladora da experiência. Em outras palavras, ela tem tanta graça quanto passar um ano sozinho numa ilha deserta (e é igualmente instrutiva).

Usando psicodélicos, eu corro o risco de virar um fanático de alguma religião ou filosofia?

Ao ser aberta a uma perspectiva muito mais ampla e profunda, a sua mente vai buscar ancorar-se na forma mais factível em que possa definir a realidade – o que, em muitos casos, está relacionado a conceitos religiosos e filosóficos (tais como “divino”, “místico”, “espiritual” etc.). Em última instância, contudo, a complexidade da revelação psicodélica é algo que faz com que conceitos linguísticos se mostrem insuficientes e até mesmo irrelevantes. Portanto, o apego a doutrinas, pontos de vista estáticos e ideologias é incompatível com a atividade psicodélica.

Num dia sem nada pra fazer, o que você tem a perder?

PSICODELIA E SIGNOS – O Som Cósmico do Zodiac

The Zodiac não é bem uma banda. O único álbum lançado pelo projeto foi lançado em 1967, ano considerado o auge da psicodelia. O álbum-conceito foi criado em cima do tema sobre os signos do Zodíaco do qual  traz 12 faixas representando cada um dos signos. As músicas foram escritas por Mort Garson com narração de Cyrus Faryar.

A guitarra lisérgica típica da época das principais bandas de Los Angeles se uniu a instrumentos de percussão, sintetizadores e a voz firme e estonteante do narrador. Tudo isso reunido foi capaz de formar a proposta do projeto: Um som cósmico que dá ao ouvinte a sensação de flutuar (e refletir) em cada faixa tocada.

Vale notar que na época os sintetizadores ainda estavam engatinhando, e o álbum é repleto de efeitos eletrônicos considerados avançados para época. Uma pérola da música eletrônica-rock subestimada e ainda desconhecida.

Não é necessário acreditar ou gostar de signos para curtir o disco Cosmic Sounds. A vibe do som cósmico já é suficiente.

Faixas do disco:

  1. "Aries - The Fire-Fighter" – 3:17
  2. "Taurus - The Voluptuary" – 3:38
  3. "Gemini - The Cool Eye" – 2:50
  4. "Cancer - The Moon Child" – 3:27
  5. "Leo - The Lord of Lights" – 2:30
  6. "Virgo - The Perpetual Perfectionist" – 3:05
  7. "Libra - The Flower Child" – 3:28
  8. "Scorpio - The Passionate Hero" – 2:51
  9. "Sagittarius - The Versatile Daredevil" – 2:06
  10. "Capricorn - The Uncapricious Climber" – 3:30
  11. "Aquarius - The Lover of Life" – 3:45
  12. "Pisces - The Peace Piper" – 3:19

O álbum traz uma sugestão na contracapa no mínimo interessante: Ouví-lo no escuro. Vale a pena seguir a sugestão. Aprecie 🙂

O Brasil e a revolução psicodélica do século XXI

O Brasil é um país de importância estratégica na política internacional. Isso se dá por conta de seu extenso território, pleno de riquezas naturais – notadamente sua abundância hídrica, mineral e biológica – além de seu enorme mercado consumidor e sua proeminência no setor agropecuário (o que, como bem se sabe, representa uma grave ameaça aos ecossistemas nacionais). Dentro da grande biodiversidade brasileira, há um aspecto que até o presente é apenas visto como mera curiosidade: a notável profusão de substâncias psicodélicas/enteógenas endêmicas, rivalizando com países como o México e o Peru. Não é de se admirar que, paralelamente a este fato, exista em nossa cultura uma considerável variedade de tradições ritualísticas que fazem uso das mesmas.

Considerando ditas tradições, podemos identificar uma peculiaridade nacional no que diz respeito à aceitação legal dessas práticas: o uso sacramental regulamentado. Este cenário é muito distante do ideal, no qual o ser humano seria protagonista de seu próprio corpo e consciência, tendo liberdade para explorar as possibilidades enteógenas/psicodélicas da maneira que melhor lhe aprouvesse (o que me parece nada menos que um direito universal óbvio). Ainda assim, é interessante notar que, neste tema específico, o Brasil (assim como os citados México e Peru) se mantém, em detrimento de suas instituições absolutamente retrógradas, ao nível de alguns países de vanguarda social (tais como Áustria, Portugal e Holanda), nos quais o uso e preparo de ao menos uma substância psicodélica amplamente conhecida não fere ao código penal. No caso do Brasil, logicamente me refiro à ayahuasca.

O que faz com que o Brasil se destaque entre esses países é o fato de esta prática, além de possuir um considerável histórico de aceitação, contar com uma grande quantidade de pessoas envolvidas. O único problema está na superação de sua limitação ao contexto religioso. A própria ideia de que se trata de algo ligado à religião já acarreta uma série de preconceitos – afinal, o último lugar que você associaria com abertura da mente seria uma igreja, não é verdade? Isso acaba fazendo com que a maior parte das pessoas perca o interesse no contato com o enteógeno.

Assim mesmo, um pequeno ajuste legal nesta questão, abrindo a possibilidade, por exemplo, do uso prescricional direcionado ao tratamento da depressão e do alcoolismo, poderia alavancar o país a uma participação muitíssimo mais incisiva na discussão que, pessoalmente, vejo como a mais importante deste século: os psicodélicos são imprescindíveis para que a humanidade supere seus atuais problemas? Se são (e eu, assim como uma boa parte da comunidade científica, aposto todas minhas fichas nisso), então por que ainda os tratamos como uma tendência radical (ou até mesmo um perigo mortal)?

Viajando sozinho pelo desconhecido, você encontrará a si mesmo no meio do caminho.

A Arte Psicodélica de Daniel Martin Diaz

Daniel Martin Diaz é um artista estadunidense que entre suas influências estão os retábulos mexicanos, oferendas místicas, pintores neerlandeses, alquimia e simbolismo. O simbolismo é um importante elemento da sua arte, pois o artista busca a partir de elementos simbólicos levar os espectadores a uma experiência artística regada a figuras e formatos que expressam um estado anterior elevado. Confira:

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O FAQ básico da educação psicodélica – parte 1

A seguir, algumas perguntas simples e frequentes a respeito da atividade psicodélica (o uso de substâncias como psilocibina, mescalina, DMT e LSD), seguidas por respostas suficientemente simples ao entendimento de qualquer leigo…

Essas substâncias psicodélicas causam alucinações?

Não, este é um velho mito que passa muito distante da realidade. Para entender isso, há de se levar em conta que elas costumam levar a experiências assustadoras, uma vez que, dadas suas propriedades neuroquímicas, trazem à consciência muito daquilo que jaz oculto no subconsciente. Considerando que é uma reação frequente do ser humano descartar e ignorar aquilo que ele tem medo ou não pode compreender facilmente, daí a classificação de seus efeitos como meras alucinações. Tratar tais substâncias como alucinógenos é bem semelhante a tratar telescópios como bruxaria (o que de fato se fazia até mais ou menos o século XVII).

Então por que muitas dessas substâncias são proibidas?

Porque quando você começa a dizer abertamente que usa substâncias psicodélicas, não são apenas seus pais que não sabem como lidar com essa situação… Também o Estado não sabe como lidar com isso. Seus pais, assim como o Estado, querem (mais do que isso, necessitam) entender exatamente tudo o que você faz – e a atividade psicodélica é algo que simplesmente não se pode compreender do lado de fora, ou seja, da perspectiva de um mero espectador. Muitos pais são inseguros e autoritários, e mais ainda o são os Estados, pois estes últimos se baseiam, quase que invariavelmente, em princípios sociais patriarcais, belicosos e obcecados por controle e soberania. Daí a paranoia da proibição.

educação psicodélica
Essas perguntas são bem comuns entre os leigos no assunto. Se lhe perguntassem, você saberia respondê-las de uma maneira adequada?

O que se aprende com o uso dessas substâncias?

Como elas são catalisadoras de processos de superação e expansão da própria consciência, perguntar isso é quase o mesmo que perguntar “o que se aprende com dez anos de vida?”… Não se pode colocar numa caixa algo muito maior do que ela – neste caso, a caixa é a linguagem através da qual essa pergunta é formulada e através da qual ela pretende ser respondida, e o conteúdo da experiência é uma resposta que jamais caberá nela.

A grosso modo, apenas para dar um “aperitivo”, com a prática psicodélica progressivamente se percebe, entre muitas outras coisas, a natureza fluída da consciência e da realidade, o que conduz a uma mentalidade mais aberta a novas formas de conhecimento, a uma visão mais equilibrada das relações interpessoais, a um sentimento mais profundo de conexão com a natureza e a uma maior plenitude no viver.   

Então a educação psicodélica significa que todas as pessoas deveriam usar essas substâncias, da mesma maneira que todos devem ir à escola?

A educação psicodélica diz respeito ao entendimento coletivo e institucional de que esta atividade é algo absolutamente normal, sem riscos e de grande potencial terapêutico e de desenvolvimento psicológico. Por exemplo, você não precisa viver no campo para aceitar que existam pessoas que preferem viver lá, que essa opção deve ser respeitada e que seu potencial como um estilo de vida mais  tranquilo e equilibrado deve ser reconhecido. Em outras palavras, o uso de psicodélicos deveria ser tratado com a mesma naturalidade que viver no campo – nisso consiste a educação psicodélica. Seria absurdo proibir, ter preconceito ou mesmo criticar alguém pelo simples fato de preferir morar no campo, não é verdade? Tampouco faria sentido obrigar alguém a morar no campo.

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10 bons motivos para se autoconhecer através da prática psicodélica

Para quem nunca teve oportunidade de fazê-lo (e também para quem já teve), seguem 10 razões pelas quais você deveria buscar um aprendizado psicodélico – ou seja, um aprendizado no qual o professor não é uma pessoa, nem um livro e nem nada do estilo, mas uma substância psicodélica. Estes fatores não se resumem ao momento da experiência em si, mas se estendem por toda a vida do indivíduo. Logicamente, a maioria dos benefícios listados abaixo não se aplica ao uso microdosado ou insuficiente…

  1. Apesar de ser uma vivência muito profunda, não acarreta nenhum risco ao corpo (ao menos quando se tratam de psicodélicos naturais) nem à saúde mental (psicodélicos conduzem a um contato mais intenso com a realidade, e não a alucinações, como tentaram lhe ensinar na escola);
  1. A experiência psicodélica se traduz num estado de êxtase que pode ser descrito como uma espécie de “redenção”, fazendo-lhe sentir que pode recomeçar a viver de acordo com o que você realmente deseja para si;
  1. Você passará a dar mais valor às coisas que realmente importam (como as amizades verdadeiras, a liberdade e até mesmo o ar que respira) e a deixar de lado o que é supérfluo (como as aparências, os luxos e as frescuras);
  1. Você poderá analisar a vida com uma serenidade que, de outra forma, apenas lhe seria possível com uma idade bem mais avançada;
  1. Você passará a ser menos egocêntrico, mas ao mesmo tempo terá mais respeito por si mesmo e, logicamente, pela natureza;
  1. Você dará uma importância cada vez menor às formalidades culturais e maior às verdadeiras virtudes;
  1. Você pouco a pouco começará a enxergar primeiro a essência, e só depois os detalhes das pessoas e das coisas;
  1. Você ficará orgulhoso de si mesmo por não se haver limitado às convenções sociais e por haver enfrentado seus medos;
  1. Você progressivamente buscará ocupar mais o seu tempo com as coisas que realmente gosta e que realmente acha importantes;
  1. Você conhecerá coisas que nem em seus sonhos mais ousados imaginou existirem.

E uma única razão para você ficar com um pé atrás…

  1. Você vai se assustar, e muito. Se não se assustar, então não foi uma experiência psicodélica… Tente uma dose mais adequada.

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Os Dois Vilões da Educação Psicodélica

Com este título, pode parecer que o artigo irá tratar de temas como a proibição de psicodélicos e a sua difamação por ignorantes ou conservadores. Contudo, o que se abordará aqui são obstáculos bem mais sutis à evolução da cultura psicodélica, os quais dificultam o entendimento geral da importância dessas substâncias. São eles:

1 – O uso de psicodélicos em dosagens insuficientes 

Este fato, apesar de a um princípio parecer limitar-se ao âmbito individual, na realidade representa um grande desserviço à cultura psicodélica como um todo. À exceção de pessoas completamente leigas e desinformadas, todos sabem que experiências psicodélicas levam a um entendimento mais profundo sobre a vida e a natureza, que não representam nenhum risco à saúde e que há muito o que se aprender com elas. No entanto, o que mais se vê hoje em dia são legiões de pessoas que, frente à “piscina psicodélica”, apenas colocam os pés na água, com medo de entrar e se afogar. Seria bem mais proveitoso um único mergulho profundo, do qual todos voltariam sãos e salvos, do que passarem a vida inteira apenas sentados na beira da piscina, ocupando espaço. 

Compare a força cultural da identidade psicodélica dos anos 60 com o presente cenário e leve em consideração que a dose mediana de uma unidade de LSD era, naquela época, aproximadamente dez vezes superior à atual, segundo análises laboratoriais. Não é uma coincidência. Apenas com dosagens ínfimas (como as da atualidade) é possível levar na brincadeira algo tão importante quanto a atividade psicodélica – e quando algo é levado a sério por muita gente, sua relevância cultural é uma consequência inevitável.

2 – A visão da prática psicodélica como algo radical, ousado ou que traspassa limites

Isto é um efeito direto do ponto abordado acima, pois consiste justamente numa atitude resultante do uso de psicodélicos em dosagens insuficientes. Perceba que são as mesmas pessoas que utilizam essas substâncias em quantidades tímidas que costumam referir-se como “malucos”, além de relatar que, trás o seu uso, “fritaram”, “ficaram muito loucos”, entre outras bobagens. Para quem passou pela efetiva transformação psicodélica, não há nada de radical nessa atividade… Ela consiste numa natural e necessária reconfiguração existencial, com o propósito de levar uma vida mais plena e equilibrada e despertar a percepção da realidade tal como é. 

Ao invés de falar sobre a prática psicodélica como algo de outro mundo (ainda que de fato o seja), mistificando tal atividade, é muito mais interessante explorar essa verdade mais a fundo e perceber que, no fim das contas, a experiência psicodélica é a coisa mais normal que poderia acontecer em sua vida – pois normal é a infinitude multidimensional revelada pela experiência psicodélica, e radical é a maneira com que o ser humano passa a vida inteira se esforçando em fechar os olhos a essa realidade.

Timothy Leary e Terence McKenna
Timothy Leary e Terence McKenna: dois precursores, para não dizer heróis, da educação psicodélica na civilização ocidental.

Uma meta para o século XXI

A partir da educação da sociedade sobre a normalidade da atividade psicodélica, ou seja, da popularização desta atividade como algo tão natural quanto quaisquer outros fatores fisiológicos, tais como o sono e a alimentação, poder-se-á desfrutar do pleno potencial dos psicodélicos como ferramentas formadoras de coesão e equilíbrio – não apenas individual, mas social. A difusão desta postura deve iniciar-se na própria comunidade psicodélica, através do estímulo a uma imersão mais profunda nesta prática, com a finalidade de abandonar a absurda perspectiva da mesma como algo radical.

A meta é que, ainda neste século, se popularize a noção de que, se quem passa a vida consumindo essas substâncias em dosagens medíocres é “maluco”, quem o faz em dosagens plenas, ainda que uma única vez na vida, é absolutamente normal – tal qual se observou desde sempre em sociedades de cunho xamânico.

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Copa da Psicodelia: confira o “confronto musical” de bandas e artistas psicodélicos

Copa do Mundo da fifa não tá com nada. Dá uma olhada nesses oito confrontos musicais sem ganhadores ou perdedores, com o único objetivo de celebrar a música psicodélica.

Los Acidos (Argentina) vs Boogarins (Brasil)

Les Goths (França) vs Aguaturbia (Chile)

Black Merda (EUA) vs Pond (Austrália)

Brainticket (Alemanha) vs Los Ovnis (México)

Bent Wind (Canadá) vs Osamu Kitajima (Japão)

Aphex Twin (Irlanda) vs Biosphere (Noruega)

Ofege (Nigéria) vs Los Holys (Peru)

Cosma (Israel) vs GMS (Holanda)

As 7 principais desculpas esfarrapadas para evitar experiências psicodélicas

Sempre haverão desculpas para não ingressar no foguete rumo ao autoconhecimento e à realidade sem máscaras – também conhecido como “experiência psicodélica”. Porém, vale a pena desmistificar as mais esfarrapadas, já que, curiosamente, também são as mais comuns…

1 – “Isso é ilegal”

Não necessariamente. Cogumelos dos gêneros Psilocybe ou Amanita, Ayahuasca, certos cactos, sementes de determinadas trepadeiras etc. não são ilegais no Brasil – e, pessoalmente, os considero muitíssimo superiores a qualquer coisa fabricada em laboratório. Além do mais, mesmo no que diz respeito a substâncias proibidas, se você alguma vez ultrapassou o limite de velocidade, comprou um DVD pirata no camelô ou experimentou bebida alcoólica antes dos 18, então seu compromisso moral com a legislação não passa de uma fantasia de carnaval.

2 – “Isso deve deixar sequelas”

Realmente, há uma sequela irreversível: uma vez aberta, a mente perde a capacidade de se fechar. É algo similar ao fato de que não se pode mais voltar a acreditar no Papai Noel, uma vez que se descobre que ele não existe. Quanto à saúde física e neurológica, se eu fosse você, estaria bem mais preocupado com produtos industrializados que consome, com hábitos tecnológicos que cultiva, com dormir mal, com estresse e com depressão, ou seja, justamente com todas as coisas que a prática psicodélica trata e previne.

3 – “Isso pode viciar”

É impressionante que se desconheça tanto o universo psicodélico, a ponto de pensar ser possível o vício nessas substâncias. Se você conhece alguém que apresenta um comportamento compulsivo em relação a elas, pode ter certeza que essa pessoa não as utiliza em doses plenamente psicodélicas (e quando o faz, muitas vezes é pela primeira e última vez). Só há duas maneiras de se conseguir manter uma frequência regular com os psicodélicos: levando-os muito a sério ou utilizando-os em dosagens bem “covardes”.

4 – “Tenho medo de sair de meu estado normal de consciência”

Até lhe entendo, mas você só diz isso porque ainda não descobriu que o tal “estado normal de consciência” é apenas um conceito próprio de sua cultura, e que não possui uma relação objetiva com a realidade.

viagem psicodélica

5 – “Isso vai prejudicar minha imagem”

O que as outras pessoas pensam de você não faz a menor diferença depois de uma experiência psicodélica. Aliás, na minha opinião, essa é uma das consequências mais importantes da prática psicodélica: ser o que você espera de si mesmo, e não o que os outros esperam de você. Por fim, quanto mais você se identifica com uma mera imagem social, mais urgentemente está precisando de uma experiência psicodélica!

6 – “Eu prefiro coisas mais tranquilas, como a meditação”

Teoricamente, essa frase não consiste numa desculpa. Na prática, contudo, ela quase sempre tem o medo como único fundamento. Neste caso, pode-se fazer uma comparação àquela pessoa que deseja ir ao último andar de um arranha- céu, mas tem medo de elevador… Ela acaba subindo pelas escadas e diz que é porque prefere subir andando mesmo.

7 – “Isso me parece uma atividade um pouco radical demais”

Isso é só uma imagem criada culturalmente. Muitas vezes, a culpa desta falsa imagem é das próprias pessoas já envolvidas nessa prática, pois acabam glamourizando-a para assim se sentirem especiais. No fim das contas, a atividade psicodélica deveria ser vista com a mesma naturalidade que a alimentação ou a reprodução, por exemplo.

Uma única desculpa razoável: “Isso é assustador”

Também acho, mas se você já sabe disso, é porque provavelmente já esteve lá.

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Álbuns Psicodélicos de 2010 A 2016

The Dandelion – Seeds Flowers and Magical Powers of The Dandelion (2015)

Mr Elevator & The Brain Hotel – Nico and her Psychedelic Subconscious (2015)

King Gizzard & The Lizard Wizard- I’m In Your Mind Fuzz (2014)

Tame Impala – Innespeacker (2010)

Holy Wave – Relax (2014)

 

The Sonic Dawn – Perception (2015)

Boogarins – Plantas que Curam (2013)

 

Peaking Lights – 936 (2012)

Ty Segall – Melted (2010)

Radio Moscow – The Great Escape of Leslie Magnafuzz (2011)

The Roaring 420s – What is Psych? (2014)

The Holydrug Couple – Moonlust (2015)

Los Acidos – Los Acidos (2016)

Glue Trip – Glue Trip (2015)

Tagore – Pineal (2016)

 

Mool & Fuzz – Vol 1

 

O Que Dizem Os Enteógenos

A natureza não é muda… homem é que é surdo. E a maneira de abrirmos nossos ouvidos é através dos psicodélicos” – Terence McKenna

Por mais bizarro que possa parecer, quanto mais se conhecem essas substâncias, mais se evidenciam suas próprias personalidades e inteligências – ainda que esta afirmação jamais possa ser compreendida e levada a sério num panorama cultural acadêmico e adverso ao despertar psicodélico (como o nosso). De qualquer forma, mesmo que a grande maioria das pessoas nunca venha a conhecer os enteógenos pessoalmente, elas também deveriam saber certas coisas que eles dizem, prontamente identificáveis por quem já possui familiaridade com os mesmos:

“Nós já estávamos aqui antes de vocês chegarem, e ainda estaremos depois que se forem”

“Nós temos mensagens importantes a lhes dar, mas bem poucos entre vocês parecem interessados em ouvir”

“Nós nos comunicamos através de um idioma universal: uma linguagem bioquímica/psicossomática mais eficaz do que todas as formas de comunicação que vocês já desenvolveram. Aqueles seus semelhantes que entendem um pouco dessa linguagem, a quem vocês geralmente se referem como xamãs, deveriam desempenhar um papel mais relevante em sua sociedade”

“Suas filosofias e ideologias de nada servem para nós, pois são todas baseadas numa linguagem primitiva, que não condiz com a realidade. Justamente por estarem limitados a esses padrões de pensamento, vocês não conseguem perceber que somos seres inteligentes, pois nossa inteligência se manifesta nos ciclos naturais de nossa existência, na nossa silenciosa adaptação a incontáveis eras terrestres e nas moléculas que utilizamos para nos comunicar com outras formas de vida”

“Assim como a sua linguagem, também a sua percepção tridimensional do espaço e a sua perspectiva linear do tempo são primitivas”

“O seu modelo civilizacional baseado no acúmulo de objetos e riquezas representa um dos seus maiores problemas como espécie”

“Apesar de vivermos na mesma casa – ou seja, o planeta Terra – nós, ao contrário de vocês, vivemos em equilíbrio com nosso lar. Aliás, desde o princípio buscamos instruí-los sobre como viver em equilíbrio, mas apenas poucos dentre vocês cumprem sua parte e deixam a comunicação fluir”

“Se sua civilização não começar a nos respeitar e a remover os bloqueios que vocês mesmos impuseram à nossa comunicação, depois poderá ser tarde demais”

“Nenhum de vocês possui a mente suficientemente evoluída para se comunicar conosco de igual para igual. Contudo, transmitimos estas mensagens de uma maneira tão clara, que qualquer mané que nos conheça pode entendê-las e transcrevê-las em sua linguagem primitiva, para assim compartilhar com seus semelhantes”

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