Psicoativos e Enteógenos

O Uso de Psicodélicos É Democrático?

Em artigo originalmente publicado em inglês no Huffpost gringo, o autor discute o acesso aos psicodélicos a partir de uma pergunta polêmica: Quais negros são permitidos a "viajar"?

O autor traz à tona uma discussão sobre o uso de psicodélicos pelos negros americanos que foi talvez reacendida através dos lançamentos dos filmes Pantera Negra e Girl’s Trip, onde alguns personagens fazem uso de psicodélicos.

Pelo visto, nos EUA é tabu ver ou imaginar pessoas negras usando psicodélicos. Segundo o autor, a guerra às drogas nos EUA deixou os negros marcados pela criminalização. O privilégio da classe alta inocula, a partir de estereótipos, essa nova imagem de pessoas negras viajando. Ou seja, agora eles podem viajar?

O autor continua abordando casos históricos de racismo no EUA em relação ao uso e tráfico de cocaína por pessoas negras. No intenso trabalho de guerra às drogas, os mexicanos foram marcados pelo uso e tráfico de maconha, os chineses pelo ópio e os negros pelo uso e tráfico de cocaína. Nas campanhas anti-drogas que circularam pelo país na primeira metade do século XX, o uso dessas substâncias foram diretamente associados com perigo, crime, conduta sexual e todo tipo de imagem negativa que você pode imaginar.

Então pare para pensar. As campanhas queriam deixar uma imagem bem clara: drogas são ruins e quem usa também é! Os negros e latinos foram os principais alvos dessas campanhas, sendo historicamente associados com toda a imagem negativa atribuída às drogas. Quando se fala em psicodélicos as coisas mudam de situação. As substâncias psicodélicas, diferentes do termo perjorativo “droga”, tem uma conotação mais positiva e benigna, sendo o usuário não considerado um “drogado” e sim um “explorador”. Percebeu como isso muda tudo? Daí ser um tabu para os americanos imaginar negros usando psicodélicos, pois historicamente foi atribuído a imagem de negros e drogas no sentido totalmente negativo e racista.

Jimi Hendrix
Jimi Hendrix – Além de um ícone do rock ‘nroll, um exímio explorador dos psicodélicos

O auge do uso de psicodélicos pelos  americanos foi sem dúvida na década de 60 do século XX, e se você verificar com um mínimo de análise possível vai perceber que grande parte dos expoentes da contracultura  e do uso de psicodélicos eram brancos. Mas isso não significa que os negros não usavam também. Eles viajaram muito e até hoje também viajam, mas talvez muitos deles nem sequer sabiam/sabem que há toda uma polêmica desnecessária sobre o uso de psicodélicos por negros.

Achei interessante o artigo por trazer um assunto do qual nunca parei para imaginar. Creio que no Brasil essa polêmica não exista. Para muita gente, drogado é drogado, seja branco ou negro, não havendo uma distinção clara entre psicodélicos e outras drogas.

Sem dúvidas o acesso a drogas como maconha e cocaína no Brasil é relativamente mais fácil do que outras substâncias como LSD, MDMA e mescalina, por exemplo, devido ao preço e a dificuldade de acesso.Daí trouxe o título como uma pergunta: o uso de psicodélicos é democrático?

Logicamente não é, nem todos têm acesso a psicodélicos de qualidade, muitas vezes usando substâncias com qualidade duvidosa. O acesso não é tão fácil, sendo a política do QI (quem indica) muito utilizada para encontrar tais substâncias. Diferente da maconha e cocaína que é possível encontrar em qualquer bocada do Brasil, substâncias psicodélicas dificilmente serão vendidas em tais bocadas, sendo mais fáceis encontradas no mercado paralelo da internet, através de amigos, festivais, entre outros.

O artigo original traz outros pormenores e discussões interessantes. Aqui trouxe a discussão principal, então recomendo a leitura na íntegra para saber mais. Vale lembrar que o autor aborda um assunto relacionado especificamente sobre a realidade dos negros dos Estados Unidos, não podendo generalizar para todas as pessoas com etnia negra fora dos EUA, pois cada caso é um caso.

Compartilhe com o Universo
  • 29
    Shares
Etiquetas
Fechar
Fechar