Psicoativos e Enteógenos

O Papel dos Simpsons na Difusão da Cultura Psicodélica

Sem dúvidas a família mais influente na história da televisão, os Simpsons trouxeram uma grande contribuição à discussão de temas controversos, dentre eles a questão das drogas. Neste artigo, veremos como essas célebres figuras amarelas fortaleceram o lado psicodélico da cultura pop.

Sempre um passo à frente dos moralismos e hipocrisias da cultura americana, a série conquistou o memorável feito de manter-se símbolo cult consolidado das décadas de 1990, 2000 e 2010 (e tudo indica que eles não “envelhecerão” tão cedo). Certas coisas parecem nunca sair de moda (Seu Madruga que o diga), e os Simpsons são uma delas. O humor crítico à sociedade, o discurso politicamente incorreto e a estética cativante fizeram do programa um palco para despir a cultura atual de seus disfarces. E, como você bem sabe, a ideologia da demonização de substâncias psicoativas não é nada mais que um enorme manto de hipocrisia.

Assim como o aspecto visual do desenho (bem rudimentar no princípio dos anos 90) foi se incrementando com o passar dos anos, também a abordagem de assuntos relacionados à psicodelia foi sendo progressivamente lapidada, e o assunto tornou-se cada vez mais frequente no programa. Antes quase exclusivas ao Otto (o “chapão” da cidade, um roqueiro pós-hippie motorista do ônibus escolar), as alusões à maconha e aos psicodélicos hoje fazem parte do repertório de praticamente todos os personagens, sendo uma temática já bem desenvolvida no arcabouço da série.

O grande trunfo dos Simpsons foi a capacidade de seus criadores em dialogar com o público, nunca ignorando as contradições do estilo de vida americano nem limitando ou censurando a sua maneira peculiar de satirizá-lo. Enquanto outros desenhos mais antigos na TV eram “psicodelizados” pela contracultura popular (como, por exemplo, os personagens da Warner Brothers – Frajola, Pernalonga, Piu-Piu, etc. – que protagonizaram a febre das camisetas canábicas dos anos 80 e 90), os Simpsons se tornaram eles próprios ícones desta contracultura… Ou seja, os personagens originais não são mais “caretas” que suas reproduções amadoras.

Pessoalmente, não acho que seja exagero atribuir à família amarela uma parcela de mérito sobre a legalização da maconha nos EUA. Afinal, foi uma geração de jovens que cresceram assistindo aos Simpsons que, já “vacinados” contra a ideologia da proibição, disseram sim nas urnas à difamada erva. Aliás, isso tem nome: democracia – o governo do povo. 

Já a geração brasileira daquela mesma época cresceu assistindo a uma comédia bem menos divertida, mas que também não perde audiência: a política e a administração pública nacionais. Analisando o cenário atual, você tem alguma dúvida de quem ganharia as eleições presidenciais deste ano no Brasil, se Homer Simpson pudesse figurar entre os candidatos?

Para terminar, um pequeno bônus: a evolução artística dos Simpsons em cartelas de LSD…

 

Uma unidade dos anos 90

 

Cartela com 64 unidades dos anos 2000

 

Cartela com 900 unidades dos anos 2010

 

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