Expansão da ConsciênciaPsicoativos e Enteógenos

O FAQ básico da educação psicodélica – parte 1

A seguir, algumas perguntas simples e frequentes a respeito da atividade psicodélica (o uso de substâncias como psilocibina, mescalina, DMT e LSD), seguidas por respostas suficientemente simples ao entendimento de qualquer leigo…

Essas substâncias psicodélicas causam alucinações?

Não, este é um velho mito que passa muito distante da realidade. Para entender isso, há de se levar em conta que elas costumam levar a experiências assustadoras, uma vez que, dadas suas propriedades neuroquímicas, trazem à consciência muito daquilo que jaz oculto no subconsciente. Considerando que é uma reação frequente do ser humano descartar e ignorar aquilo que ele tem medo ou não pode compreender facilmente, daí a classificação de seus efeitos como meras alucinações. Tratar tais substâncias como alucinógenos é bem semelhante a tratar telescópios como bruxaria (o que de fato se fazia até mais ou menos o século XVII).

Então por que muitas dessas substâncias são proibidas?

Porque quando você começa a dizer abertamente que usa substâncias psicodélicas, não são apenas seus pais que não sabem como lidar com essa situação… Também o Estado não sabe como lidar com isso. Seus pais, assim como o Estado, querem (mais do que isso, necessitam) entender exatamente tudo o que você faz – e a atividade psicodélica é algo que simplesmente não se pode compreender do lado de fora, ou seja, da perspectiva de um mero espectador. Muitos pais são inseguros e autoritários, e mais ainda o são os Estados, pois estes últimos se baseiam, quase que invariavelmente, em princípios sociais patriarcais, belicosos e obcecados por controle e soberania. Daí a paranoia da proibição.

educação psicodélica
Essas perguntas são bem comuns entre os leigos no assunto. Se lhe perguntassem, você saberia respondê-las de uma maneira adequada?

O que se aprende com o uso dessas substâncias?

Como elas são catalisadoras de processos de superação e expansão da própria consciência, perguntar isso é quase o mesmo que perguntar “o que se aprende com dez anos de vida?”… Não se pode colocar numa caixa algo muito maior do que ela – neste caso, a caixa é a linguagem através da qual essa pergunta é formulada e através da qual ela pretende ser respondida, e o conteúdo da experiência é uma resposta que jamais caberá nela.

A grosso modo, apenas para dar um “aperitivo”, com a prática psicodélica progressivamente se percebe, entre muitas outras coisas, a natureza fluída da consciência e da realidade, o que conduz a uma mentalidade mais aberta a novas formas de conhecimento, a uma visão mais equilibrada das relações interpessoais, a um sentimento mais profundo de conexão com a natureza e a uma maior plenitude no viver.   

Então a educação psicodélica significa que todas as pessoas deveriam usar essas substâncias, da mesma maneira que todos devem ir à escola?

A educação psicodélica diz respeito ao entendimento coletivo e institucional de que esta atividade é algo absolutamente normal, sem riscos e de grande potencial terapêutico e de desenvolvimento psicológico. Por exemplo, você não precisa viver no campo para aceitar que existam pessoas que preferem viver lá, que essa opção deve ser respeitada e que seu potencial como um estilo de vida mais  tranquilo e equilibrado deve ser reconhecido. Em outras palavras, o uso de psicodélicos deveria ser tratado com a mesma naturalidade que viver no campo – nisso consiste a educação psicodélica. Seria absurdo proibir, ter preconceito ou mesmo criticar alguém pelo simples fato de preferir morar no campo, não é verdade? Tampouco faria sentido obrigar alguém a morar no campo.

Num dia sem nada pra fazer, o que você tem a perder?

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