Psicoativos e Enteógenos

Drogas são como livros

Drogas são como livros… Houve um tempo em que muitos livros eram proibidos, pelo simples fato de não serem aceitos ou compreendidos pelas autoridades de sua época (pensou na igreja medieval?). Hoje, tal como antigamente, os livros aceitos pela sociedade são os mais chatos, bobos e sem sentido. Hoje se bebe álcool e se proíbe LSD, no passado se liam sermões e se proibia Galileu.

Drogas são como livros… Eu vejo a cannabis como gibis. Fáceis de ler, bons para descontrair e para passar o tempo, gosto bastante deles. Porém, há muitos e muitos anos não leio um gibizinho sequer. Talvez porque pense neles como algo para quem está aprendendo a ler, ou simplesmente pela mesma razão pela qual nunca mais joguei videogame (apesar de pensar que jogaria para sempre, quando era adolescente). Ainda assim, sempre fico contente em ver (ou sentir o cheiro de) alguém lendo um Chico Bento, por exemplo. Ler um gibi não resolve a vida de ninguém, mas ao menos significa que a pessoa não tem medo de ler… Já é alguma coisa. 

Drogas são como livros… O que realmente me interessa? Esses livrões enormes, de cientistas e filósofos como Nietzsche e outros de nomes ainda mais difíceis, chamados psicodélicos ou enteógenos. Longos, difíceis de ler e entender, literatura pesada, não fazem muito sucesso com o público em geral – apenas poucos indivíduos buscadores de conhecimento leem mais do que umas poucas páginas ou umas poucas obras. Contudo, uma coisa é certa: diferentemente de um gibi, ao ler um livrão desses você expandirá sua visão da realidade, alargará os horizontes de sua mente e verá a si mesmo com outros olhos. 

Psicodelia

Drogas são como livros… E o que dizer de ópio, cocaína, metanfetaminas, etc.? Revistas pornô, talvez. Tal como a punheta, pode até ser divertido e prazeroso no princípio, mas com o tempo se torna algo vicioso, um prazer incompleto, algo que mais frustra do que satisfaz… Além do âmbito experimental, não acrescenta muito à vida – de fato, geralmente subtrai. Proibi-las, porém, nem pensar… Eis o absurdo primordial. Afinal, somos ou não somos os senhores de nossas mentes e nossos corpos, igualmente responsáveis pelos mesmos? Se o trânsito mata mais do que a maioria das guerras, um Estado tão preocupado com o bem-estar de seus cidadãos proibiria, em primeiríssimo lugar, os carros. Sim: o uso irresponsável de automóveis mata muito – muitíssimo – mais que o uso irresponsável de drogas. Aliás, não seria nada mal viver num país simultaneamente bike-friendly e drug-friendly, onde carros particulares sejam ilegais. Parece até cenário dessas séries do Netflix, uma utopia hipster pós-apocalipse ambiental ou algo assim.

Drogas são como livros… Qual é a diferença entre os dois? Uma só: livros foram escritos por pessoas, numa linguagem humana. Drogas foram escritas pela matriz criadora da natureza e do universo, numa linguagem natural e universal. Não por acaso, através delas nos vemos frente à frente com essa força, entidade ou seja lá como queira chamar. Ouvimos o que ela tem a dizer. Nos embasbacamos com sua grandiosidade e sabedoria.

Psicodelia

Drogas são como livros… Não tenho nem um pingo de vergonha – e sim orgulho – em dizer que sou um tiozinho não apenas alfabetizado, mas absolutamente letrado, que pode conversar desde Platão e Descartes até Jorge Amado, ainda que ultimamente eu não tenha muito saco para ler um livrão. O que eu hoje realmente gostaria é que as pessoas lessem mais, adquirissem cultura, aprendessem mais sobre si próprias e sobre o universo e com isso respeitassem a vida e a natureza… Enfim, que fossem civilizadas. Assim, certamente, teriam coisas bem mais interessantes pra conversar do que política, fofoca e esporte.

Apesar de não haverem sido a salvação da humanidade, os livros com certeza ajudaram um bocado. Continuemos emergindo da Idade Média… Ao invés de propagar o preconceito analfabeto de vê-las como perda de tempo (ou algo pior), dê uma chance às drogas.

Viajando sozinho pelo desconhecido, você encontrará a si mesmo no meio do caminho.

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