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A sanidade psicodélica versus a loucura da civilização

09/05/2018 - Psicoativos e Enteógenos
A sanidade psicodélica versus a loucura da civilização

Para muita gente, os locais a que suas mentes são conduzidas pela atividade psicodélica se definem como qualquer coisa entre bizarro e totalmente alienígena. Tal descrição induz muitos leigos a um grande erro: ver esta prática como uma forma de distanciamento da realidade. No fim das contas, esta confusão apenas reflete o condicionamento psicológico, próprio de nossa sociedade, que nos afasta de um contato direto com a essência das coisas.

Durante a experiência psicodélica, um momento de suma importância na vida do ser humano, tudo se despe da banalidade cotidiana e se apresenta em sua essência – e a vida é essencialmente misteriosa, fantástica e indescritível. Há uma frase do poeta inglês William Blake (imortalizada no livro As Portas da Percepção de Aldous Huxley) que afirma isso perfeitamente:

“Se as portas da percepção estivessem limpas, tudo apareceria para homem tal como é: infinito.”

Após certa familiaridade com a atividade psicodélica (que representa uma purificação das portas da percepção), só resta ao indivíduo questionar aquilo que se conhece por “civilizado” e, com a mente desiludida, indagar-se: “o que há de normal nisso?”

O que há de normal em viver pensando em contas a pagar? Que normalidade pode haver em entregar a vida ao acúmulo de coisas? E o que dizer da incessante busca pela imagem perfeita e pela ascensão social?

Numa única experiência psicodélica, em questão de horas o sujeito se dá conta de que há outras coisas além das aparências cotidianas, do plano material, da vida e da morte. O aprendizado psicodélico traz consigo o bem mais escasso ao ser humano, uma riqueza que ele não tem como acumular: o tempo. A sabedoria de aproveitar o tempo que se tem disponível no planeta – fazendo não o que a sociedade espera de você, mas sim o que você espera de si próprio – é um inegável mérito do despertar psicodélico. Muita gente precisa passar perto da morte física para adquirir essa consciência. Pela via psicodélica, porém, podemos renascer preservando nossos corpos em perfeito estado.

Não obstante, tudo tem seu preço… E o preço do renascer psicodélico é pago numa única moeda: o medo. Nada mais se exige de um psiconauta – nem sua saúde, nem sua sanidade, nem qualquer outra coisa além da coragem de enfrentá-lo. Não se trata daquele medo já desvelado, mas sim daquele oculto nas profundezas do subconsciente – aquele que o “homem civilizado” evita a todo custo, mesmo sem sequer saber de sua existência. Não é apenas o medo ao desconhecido, mas também o medo desconhecido. É exatamente nisso que consiste este peculiar atalho aos segredos do tempo… Se a passagem não fosse cobrada nessa moeda, qualquer um andaria por ele.

Por tudo isso, recomendo com a melhor das intenções: em se tratando de psicodelia, enteogenia, xamanismo ou seja lá qual conceito melhor lhe aprouver, não ponha o dedinho na água pra ver se está fria… Experimente um mergulho de cabeça. Depois de nadar nessas águas, estará claro que a única loucura na vida é não saber o que fazer com o tempo.

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